Para dissipar a terrível angústia de um pároco ordenado por um bispo cismático durante o Grande Cisma do Ocidente, Deus revelou-se de forma visível na Hóstia. Uma menina de cinco anos viu o Menino Jesus nos braços do sacerdote durante a consagração no dia de Natal, confirmando divinamente a validade do seu sacerdócio. O milagre está documentado nos Anais Eclesiásticos e nos arquivos de Moncada.
Nos anos finais do século XIV, a Igreja Católica enfrentava a dolorosa tempestade do Grande Cisma do Ocidente, período em que cardeais franceses decidiram eleger o antipapa Clemente VII em Avinhão, rivalizando com o Papa legítimo de Roma. Esse cenário de caos institucional lançou muitos clérigos em profundas crises de identidade e escrúpulos morais. Na vila espanhola de Moncada, o pároco Mosén Jaime Carros vivia em constante tormento interior por ter sido ordenado por um bispo fiel ao antipapa, temendo diariamente que suas missas fossem inválidas, que estivesse distribuindo meros pedaços de pão aos fiéis e enganando o povo de Deus com sacramentos nulos.
O angustiado sacerdote suplicava incessantemente por um sinal visível do Céu que confirmasse a dignidade de seu ministério, recebendo a resposta divina na solene Missa de Natal do ano de 1392. Naquela celebração, estava presente a nobre Angela Alpicat acompanhada de sua filha de apenas cinco anos, Inès (que futuramente viria a ser conhecida como a venerável eremita Santa Inês de Moncada). Ao término da liturgia, a pequena Inès recusou-se a sair do templo, explicando à sua mãe, com a inocência própria da infância, que desejava permanecer ali para brincar com o belíssimo menino que o pároco mantinha nos braços durante o momento em que erguia a Hóstia no altar.
No dia seguinte, 26 de dezembro, a cena repetiu-se idêntica: no momento da elevação, a menina exclamou ter visto novamente o Menino Jesus resplandecente entre as mãos do celebrante. Informado pela mãe sobre as visões, Mosén Jaime decidiu interrogar a criança e submetê-la a uma prova teológica rigorosa no dia subsequente. Diante do altar, o sacerdote tomou duas partículas semelhantes, mas consagrou apenas uma delas. Ao elevar a forma que havia recebido a consagração, perguntou à menina o que ela via, e Inès respondeu prontamente: 'Vejo o Menino Jesus'. Em seguida, o padre elevou o disco que não fora consagrado, e a pequena respondeu sem hesitar: 'Vejo apenas um disco branco'.
A comprovação visual da presença real rompeu as correntes de angústia que aprisionavam o coração do pároco, enchendo toda a assembleia de Moncada de uma alegria indescritível, pois ficou atestado que Deus permaneceu fiel à sucessão apostólica por meio da imposição das mãos, independentemente das crises políticas da Igreja. Este prodígio histórico encontra-se solidamente registrado nos famosos Anais Eclesiásticos do Padre Odorico Raynaldi e em manuscritos preservados no arquivo municipal da cidade. A igreja onde ocorreu o evento continua sendo um marco de peregrinação, conectando a infância espiritual da Beata Inès à certeza dogmática da presença viva de Cristo na Eucaristia.
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Eu sou o pão vivo que desceu do céu; quem deste pão comer, viverá eternamente.
João 6, 51
