Um pastor que sofria de uma grave enfermidade que o impedia de engolir alimentos não conseguiu consumir a Hóstia Consagrada após a comunhão. Atormentado pelo pânico, ele cuspiu a Partícula sagrada sobre uma árvore em seu jardim, mas os severos remorsos morais o levaram a confessar tudo ao pároco. Anos depois, ao abaterem a árvore, o tronco partiu-se ao meio e revelou um Crucifixo esculpido com absoluta perfeição plástica, atraindo a atenção de bispos, condes e multidões de peregrinos.
No ano de 1280, na pequena e pacata cidadezinha de Kranenburg bei Kleve, na Alemanha, um pastor local que sofria há muito tempo de uma grave doença obstrutiva na garganta dirigiu-se à igreja paroquial para receber os sacramentos. Logo após ter feito a Comunhão e recebido a Hóstia Consagrada da parte do sacerdote, o homem foi acometido por uma crise severa e, por mais que tentasse, não conseguiu de forma alguma deglutir a Partícula sagrada devido às limitações físicas provocadas por sua enfermidade.
Tomado pelo pânico e sem saber como agir dentro do templo, o pastor retirou-se às pressas e correu em direção à sua residência. Ao entrar em seu jardim particular e sentindo-se sufocado, ele cuspiu a Hóstia Consagrada diretamente contra o tronco de uma árvore ali presente. Imediatamente após o ato impensado, um profundo sentimento de culpa e severos remorsos espirituais passaram a atormentar a mente do homem, que não conseguia mais encontrar paz em suas atividades diárias.
Incapaz de suportar o peso de sua consciência, o pastor tomou a decisão de procurar o pároco da cidade para confessar detalhadamente o ocorrido. O sacerdote, horrorizado com o relato, deslocou-se imediatamente até o jardim acompanhado do homem para tentar recuperar a Partícula eucarística. Contudo, apesar de realizarem buscas minuciosas e exaustivas em cada reentrância e folhagem da planta, cada esforço empreendido revelou-se completamente inútil, e a Hóstia parecia ter desaparecido sem deixar vestígios.
Vários anos se passaram até que, por razões práticas, decidiu-se abater a referida árvore do jardim. Os lenhadores iniciaram o trabalho e cortaram o tronco principal exatamente ao meio. No exato instante em que a madeira foi ceifada e aberta em duas metades, para o assombro absoluto de todas as testemunhas presentes no local, caiu em terra um Crucifixo de madeira esculpido com extrema perfeição plástica e riqueza de detalhes artísticos, brotado diretamente do cerne da árvore onde a Hóstia fora lançada.
A extraordinária notícia do Crucifixo que havia nascido e crescido a partir de uma Hóstia Consagrada espalhou-se com enorme velocidade pelas regiões vizinhas. O Bispo de Colônia e o Conde de Kleve interessaram-se pessoalmente pelo Milagre, promovendo investigações e encorajando oficialmente o culto. Diante do fluxo maciço de peregrinos, os cidadãos iniciaram em 1408 a construção de uma imponente Igreja em honra ao Milagre, concluída em 1444 no estilo gótico tardio, onde a preciosa Relíquia do Crucifixo continua preservada e recebe solenes procissões anuais todo dia 14 de setembro.
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Eu sou o pão vivo que desceu do céu; quem deste pão comer, viverá eternamente.
João 6, 51
