Uma integrante de uma seita satânica roubou a grande Hóstia da Igreja de Ettiswil, mas foi forçada a abandoná-la em um matagal quando o Sacramento tornou-se pesadíssimo. Dias depois, uma jovem guardadora de porcos localizou a Partícula brilhando intensamente sobre urtigas, dividida em sete pedaços que desenhavam uma rosa. Quando o pároco tenta recolher os fragmentos, a hóstia central fixou-se na terra, motivando a construção de um célebre santuário.
O Milagre Eucarístico de Ettiswil, na Suíça, possui como principal registro histórico o valioso 'Protocolo de Justiça', um documento oficial lavrado em 16 de julho de 1447 por Hermann von Rüsseg, então senhor feudal e governante de Büron. Segundo as crônicas do processo legal, na quarta-feira do dia 23 de março de 1447, a Igreja Paroquial da aldeia foi alvo de um crime sacrílego perpetrado por uma jovem chamada Ana Vögtli de Bischoffingen, que confessou pertencer secretamente a uma seita satânica local. Aproveitando-se do silêncio do templo, Ana conseguiu enfiar sua mão por entre as estreitas grades de ferro do sacrário e apoderou-se da grande Hóstia Consagrada destinada às adorações.
A fuga da criminosa foi interrompida de forma abrupta assim que ela cruzou os limites físicos do muro de pedra do cemitério paroquial. Em seu depoimento espontâneo às autoridades policiais após ser capturada, Ana relatou que o Santíssimo Sacramento começou repentinamente a ganhar um peso físico descomunal e insustentável, tornando-se tão pesado que suas forças esgotaram-se por completo. Sentindo-se totalmente paralisada, incapaz de dar um passo adiante ou de recuar em direção à igreja, ela entrou em desespero e desfez-se da Hóstia, arremessando-a no meio de uma sebe densa repleta de silvados e urtigas antes de fugir.
Alguns dias após o desaparecimento, uma jovem camponesa e guardadora de porcos chamada Margherita Schulmeister caminhava pelas proximidades do tapume derrubado junto ao matagal. De repente, os animais de sua criação pararam de caminhar abruptamente e recusaram-se a avançar, agitando-se no local. Margherita solicitou o auxílio de dois cavaleiros que passavam pela estrada e, ao vasculharem o mato espesso, os três depararam-se com uma visão fascinante: a Hóstia roubada estava suspensa no ar, emitindo raios de luz viva e dividida milagrosamente em sete partículas distintas. Seis dessas partes flutuavam geometricamente ao redor, formando o desenho perfeito de uma flor semelhante a uma rosa resplandecente.
O pároco da aldeia foi imediatamente alertado e marchou em procissão com a comunidade para resgatar o Sacramento. O sacerdote conseguiu recolher os seis pedaços externos da flor sem dificuldades, mas no momento em que estendeu os dedos para apanhar a sétima partícula central, esta cravou-se profundamente no solo e desapareceu no interior da terra diante dos olhos atônitos da multidão. A população interpretou o sumiço da partícula como um sinal divino de que aquele local exato tornara-se solo sagrado, decidindo iniciar imediatamente a construção de uma capela memorial no ponto exato do desaparecimento, consagrada em 28 de dezembro de 1448. As outras seis partes operaram inúmeras curas físicas e o santuário recebeu o reconhecimento de vários papas, incluindo Pio XII em 1947.
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Eu sou o pão vivo que desceu do céu; quem deste pão comer, viverá eternamente.
João 6, 51
