Uma epidemia devastadora de peste bubônica trazida por tropas espanholas dizimava a população de Cava dei Tirreni, acumulando milhares de cadáveres. Diante do colapso dos recursos humanos, um sacerdote remanescente conduziu o povo ao topo de um monte e abençoou a região com o Santíssimo Sacramento, fazendo a peste cessar de forma imediata.
No mês de maio de 1656, a região de Nápoles, na Itália, foi atingida por uma terrível e avassaladora epidemia de peste, desencadeada a partir da chegada de contingentes militares espanhóis que desembarcaram vindos da ilha da Sardenha. O contágio espalhou-se com velocidade assustadora pelas províncias vizinhas, alcançando as áreas urbanas e rurais da cidade de Cava dei Tirreni. Em poucas semanas, o vírus provocou milhares de mortes, colapsando os cemitérios e espalhando um clima de absoluto terror e abandono entre os sobreviventes que assistiam à perda de famílias inteiras.
No ápice da crise sanitária, o sacerdote Dom Paolo Franco, que havia sido milagrosamente poupado da infecção, recebeu uma forte inspiração interior para recorrer ao poder da Eucaristia como último recurso contra a mortalidade. Desafiando os riscos evidentes de aglomeração e contágio, o clérigo convocou os cidadãos sobreviventes para um ato público de fé e reparação espiritual. O plano consistia em realizar uma solene procissão penitencial carregando o Corpo de Cristo até o cume do Monte Castello, uma elevação montanhosa situada a poucos quilômetros do perímetro urbano.
Ao alcançarem o topo da montanha no dia 25 de maio de 1656, coincidindo com a celebração litúrgica da Quinta-feira da Ascensão, Dom Paolo Franco ergueu a custódia dourada com o Santíssimo Sacramento e traçou uma bênção solene estendida sobre os vales, campos e habitações de Cava dei Tirreni. O efeito do ato religioso foi imediato e desafiou as previsões da medicina da época: a epidemia de peste cessou de forma abrupta na cidade, interrompendo as mortes e promovendo a cura progressiva dos enfermos que haviam sido desahuciados.
A miraculosa libertação da peste transformou-se no marco histórico e espiritual mais importante da localidade, resultando na criação da tradicional 'Festa di Castello', instituída oficialmente no ano seguinte, em 1657. Há séculos, a população cumpre o voto de gratidão por meio de procissões solenes realizadas anualmente no mês de junho. O topo do Monte Castello, de onde o sacerdote estendeu a bênção salvadora, continua sendo o ponto central das comemorações, que incluem desfiles históricos com trajes de época e queimas de fogos de artifício em honra ao prodígio.
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Eu sou o pão vivo que desceu do céu; quem deste pão comer, viverá eternamente.
João 6, 51
