A Hóstia Flutuou e Escapou no AR

Alemanha · 1417

A Hóstia Flutuou e Escapou no AR

Iludido pela crença ignorante de que o Santíssimo Sacramento funcionaria como um amuleto de prosperidade financeira, um camponês pobre de Erding roubou uma Hóstia na Quinta-feira Santa. Quando o arrependimento o moveu a devolver a Partícula, ela escapou milagrosamente de suas mãos e voou livremente pelos ares, desafiando as leis da gravidade. O resgate da Hóstia exigiu a intervenção direta do Bispo e culminou na fundação de um grande santuário barroco.

No ano de 1417, na localidade alemã de Erding, um camponês humilde vivia em um estado de profunda angústia devido às suas péssimas condições econômicas, que não melhoravam apesar de ele dedicar muitíssimas horas de trabalho diário pesado na lavoura. Ao observar que o seu vizinho de propriedade exercia a mesma função e conseguia viver de maneira extremamente abastada e próspera, o camponês decidiu questioná-lo sobre o segredo de tamanho sucesso financeiro. O vizinho confidenciou-lhe de maneira informal que toda a sua fortuna e segurança deviam-se ao fato de ele guardar o próprio Santíssimo Sacramento escondido no interior de sua residência.

Demonstrando uma imensa ignorância teológica nas coisas básicas da fé cristã, o pobre trabalhador imaginou equivocadamente que o Corpo de Cristo tratava-se de uma espécie de amuleto mágico de sorte ou objeto de feitiçaria. Decidido a imitar o vizinho, o homem participou da Santa Missa solene na Quinta-feira Santa e, ao colocar-se na fila e receber a Sagrada Comunhão na boca, retirou-a secretamente, escondeu a Hóstia em um pano limpo e evadiu-se do templo. Contudo, logo após afastar-se alguns metros, sua consciência pesou severamente e o remorso tomou sua mente, fazendo com que ele mudasse de ideia e decidisse retornar imediatamente para devolver a Partícula ao altar.

Durante o caminho de retorno à igreja paroquial, ocorreu um fenômeno inteiramente sobrenatural: a Hóstia Consagrada escapou subitamente de suas mãos e ergueu-se de forma autônoma voando no ar. O camponês aterrorizado tentou cercar e capturar a forma saltando por todos os lados, mas a partícula levitou para longe até desaparecer completamente de sua vista. Desesperado diante dos desdobramentos místicos, o homem correu à casa paroquial e confessou o sacrilégio ao pároco, que marchou às pressas até o local do desaparecimento. Ao chegar, o sacerdote localizou a Hóstia pousada sobre um montículo de terra pura, emanando uma luz intensamente forte e brilhante. No momento em que o padre estendeu os dedos para recolhê-la, a Hóstia novamente alçou voo no ar, pairando fora de alcance e sumindo nos céus.

Diante da recusa da Hóstia em ser capturada por mãos comuns, o pároco notificou formalmente o Bispo da diocese, que fez questão de deslocar-se pessoalmente com sua comitiva até o sítio do prodígio. Diante da autoridade apostólica do prelado e da população reunida em oração de reparação, a Partícula manifestou-se novamente pairando no ar de forma mansa. Compreendendo o recado divino daquele evento extraordinário, o Bispo e os cidadãos de Erding realizaram um voto solene de construir exatamente naquele terreno uma capela em honra ao Prodígio Eucarístico, permitindo que a Hóstia fosse finalmente resgatada com dignidade litúrgica.

O fluxo de peregrinos que afluía à pequena vila alemã cresceu de forma tão massiva ao longo dos séculos que, no ano de 1675, as autoridades governamentais e eclesiásticas locais decidiram demolir a estrutura antiga para construir um novo e monumental Santuário em estilo barroco de grande capacidade. Em 19 de setembro de 1677, o Bispo Kaspar Künner de Freising consagrou solenemente o novo templo, dedicando-o ao Preciosíssimo Sangue. Para enriquecer o altar-mor da nova igreja, foram transladadas diversas relíquias sagradas históricas. Desde o ano de 1992, o Santuário do Preciosíssimo Sangue em Erding encontra-se sob os cuidados espirituais e administração litúrgica da Ordem dos Monges de São Paulo do Deserto, preservando viva a memória do milagre da hóstia voadora.

Eu sou o pão vivo que desceu do céu; quem deste pão comer, viverá eternamente.

João 6, 51