Em uma época marcada por frequentes profanações e roubos sacrílegos de hóstias, um ladrão conseguiu violar a sacristia da Igreja Paroquial de Weiten e ocultar uma Partícula Sagrada dentro de sua luva. Durante a fuga a cavalo, forças misteriosas paralisaram o animal, fazendo com que a Hóstia caísse ao chão. Dias depois, a partícula foi encontrada brilhando com uma luz intensíssima e unida milagrosamente por filamentos de carne e sangue vivos.
No início do século XV, a Áustria enfrentava um período sombrio marcado por uma onda de furtos e profanações de Hóstias Consagradas, uma situação alarmante que forçou os religiosos e sacerdotes da época a adotarem o hábito preventivo de trancar as Partículas Sagradas no interior das sacristias. Apesar de todas essas rigorosas precauções de segurança, no ano de 1411, um criminoso agindo de forma calculada conseguiu invadir a sacristia da Igreja Paroquial da aldeia de Weiten. Com extrema irreverência, o homem apoderou-se de uma Hóstia Consagrada e, para esconder o produto do roubo sacrílego, enfiou a Partícula no interior de uma de suas luvas de montaria.
O ladrão montou imediatamente em seu cavalo com o objetivo de fugir em direção à aldeia vizinha de Spitz. Para evitar as patrulhas e as autoridades, o homem decidiu desviar-se da estrada principal, optando por uma via lateral deserta que cortava a região da fossa de Mühldorf, um local conhecido popularmente pelas crônicas locais como 'Am Schuß'. Contudo, ao atingir um ponto específico do trajeto, o cavalo parou abruptamente e recusou-se terminantemente a dar mais um único passo adiante. Camponeses que trabalhavam nas lavouras vizinhas testemunharam a cena e correram para ajudar o cavaleiro, mas constataram atônitos que o animal parecia completamente petrificado e colado ao solo, resistindo a qualquer comando físico humano.
De forma inteiramente inexplicável e repentina, após momentos de total paralisia, o animal disparou em um galope selvagem e descontrolado com o seu dono. No solavanco do arranque, a Hóstia que estava oculta na luva deslizou suavemente e caiu sobre a terra batida, junto a uma sebe, sem que o criminoso ou os camponeses percebessem o ocorrido. Poucos dias após o incidente, uma piedosa e devota senhora chamada Scheck, residente na comunidade de Mannersdorf, caminhava pelo exato local daquela estrada quando foi surpreendida por um espetáculo visual fascinante: uma coluna de luz fortíssima e brilhante emanava diretamente de um arbusto, tendo em seu centro geométrico a Hóstia roubada.
Tomada de profunda reverência, a senhora aproximou-se e recolheu a Partícula do chão. Para a sua imensa surpresa e comoção, ela notou que a Hóstia havia se partido perfeitamente em duas metades durante a queda, mas que ambas as partes continuavam rigidamente unidas entre si graças à presença visível de finos filamentos de carne humana e fios de sangue vivo. Impactada pela grandeza do milagre, a senhora Scheck financiou do próprio bolso a construção de uma capelinha memorial exatamente no ponto da descoberta. A notícia espalhou-se rapidamente pelas províncias austríacas, gerando um fluxo tão maciço de peregrinos que a comunidade de Weiten foi compelida a erguer uma nova e imponente igreja gótica para acolher as multidões que ali convergiam anualmente para venerar a preciosa relíquia.
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Eu sou o pão vivo que desceu do céu; quem deste pão comer, viverá eternamente.
João 6, 51
