Em uma época marcada pela disseminação de heresias que atacavam o sacramento do altar, o pároco Bernat Oliver foi dominado por dúvidas persistentes sobre a transubstanciação. Durante a celebração da Missa na antiga paróquia de Ivorra, o vinho contido no cálice transformou-se de forma súbita em sangue vivo abundante, transbordando pelo altar e atingindo o solo. O milagre foi reconhecido pelo Papa Sérgio IV através de uma bula pontifícia e atrai peregrinos até hoje.
No início do século XI, a Europa Ocidental começou a enfrentar a rápida difusão de perigosas correntes e doutrinas heréticas que atacavam frontalmente as bases da Igreja Católica, negando de maneira veemente a presença real de Jesus Cristo nas espécies do pão e do vinho. Sob o peso desse clima de incertezas e debates teológicos, o próprio pároco da pequena aldeia espanhola de Ivorra, chamado Bernat Oliver, deixou-se contagiar pelas dúvidas intelectuais da época e passou a questionar secretamente a veracidade do dogma da transubstanciação.
A fraqueza na fé do sacerdote encontrou um desfecho milagroso e visível no ano de 1010, no momento preciso em que ele se encontrava junto ao altar celebrando o santo sacrifício da Missa. De maneira inteiramente imprevista e arrebatadora, o vinho depositado no interior do cálice converteu-se em Sangue humano vivo de forma tão abundante que a quantidade transbordou as bordas do vaso litúrgico, ensopando completamente o tecido de linho da toalha do altar e escorrendo livremente em direção ao solo da igreja.
Profundamente abalado pela materialização do milagre, o sacerdote relatou o ocorrido às autoridades. O Bispo de Urgell, que mais tarde seria canonizado como São Ermengol, viajou imediatamente até a localidade de Ivorra para conduzir um exame minucioso e constatar pessoalmente a veracidade dos fatos. Reconhecendo a dimensão do sinal divino, o prelado reportou as conclusões diretamente ao Papa Sérgio IV em Roma, que decidiu emitir e assinar uma Bula Pontifícia oficial confirmando o caráter milagroso e sobrenatural do evento.
As preciosas relíquias decorrentes do prodígio, que incluem o tecido da toalha do altar profundamente manchado pelo Sangue vertido e outros objetos sagrados doados pelo Sumo Pontífice, foram inicialmente instaladas sobre o altar-mor da Igreja Paroquial de São Cugat, inaugurada em 1055 pelo Bispo Guillem. No ano de 1426, os tecidos sagrados foram transferidos para um suntuoso relicário gótico trabalhado, onde permanecem perfeitamente resguardados para a contemplação pública dos fiéis.
Para conseguir acolher dignamente a imensa multidão de peregrinos que viajavam anualmente com o intuito de venerar os sinais do milagre, a comunidade construiu o atual e imponente Santuário no ano de 1663. Atualmente, o vilarejo de Ivorra mantém viva a tradição e celebra todos os anos, no segundo domingo de Páscoa, uma grandiosa festa litúrgica e popular batizada com o nome de 'A Santa Dúvida', prestando uma homenagem histórica e espiritual à conversão do Padre Bernat Oliver.
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Eu sou o pão vivo que desceu do céu; quem deste pão comer, viverá eternamente.
João 6, 51
