Ao derramar acidentalmente o vinho consagrado durante a Missa, o sacerdote Eligio van der Aker testemunhou o líquido branco transformar-se em Sangue humano. As manchas resistiram a todas as tentativas de lavagem e o segredo foi guardado até o seu leito de morte. O Cardeal Pileus aprovou o prodígio em 1380, e a relíquia atrai milhares de fiéis anualmente em Boxtel.
No ano de 1380, na histórica Igreja de São Pedro, na cidade holandesa de Boxtel, o sacerdote Eligio van der Aker encontrava-se diante do altar dedicado aos Três Reis Magos para celebrar o santo sacrifício da Missa. Por uma escolha litúrgica permitida, o celebrante utilizava um vinho branco legítimo para a matéria do sacramento. Contudo, logo após pronunciar as palavras solenes da consagração, o padre realizou um movimento brusco e, de forma inteiramente inadvertida, derrubou o cálice sagrado sobre a mesa do altar, derramando o precioso líquido sobre o linho do corporal e sobre a toalha litúrgica.
Para o absoluto assombro do sacerdote, o líquido que deveria ser claro transmutou-se visivelmente em um Sangue denso e de cor vermelha viva no exato momento em que tocou os tecidos. Tomado pelo pânico e temendo as sanções canônicas, o Padre Eligio encerrou a celebração e correu em direção à sacristia, onde tentou desesperadamente lavar e esfregar as vestes sagradas com água pura para remover as marcas. Vendo que cada tentativa resultava completamente inútil e que o Sangue parecia fixar-se ainda mais nas fibras do linho, o clérigo escondeu o corporal e a toalha manchados dentro de uma mala de madeira sob a sua própria cama, ocultando o segredo por anos.
A verdade sobre o Milagre Eucarístico só veio à tona no leito de morte do Padre Eligio, quando este, tocado pelo arrependimento, revelou o esconderijo ao seu confessor, o Padre Enrico van Meerheim. A revelação foi imediatamente comunicada ao Cardeal Pileus, delegado apostólico do Papa Urbano VI e titular da Igreja de Santa Prassede, que instaurou um inquérito canônico rigoroso e aprofundado para ouvir as testemunhas e examinar os panos ensanguentados. Em 25 de junho de 1380, o purpurado emitiu um decreto oficial reconhecendo a natureza sobrenatural do evento e autorizando formalmente o culto público à relíquia.
Os séculos seguintes trouxeram severas provações geográficas para o milagre, pois as lutas religiosas de 1652 forçaram a transferência das relíquias para Hoogstraten, na Bélgica, onde a toalha do altar permanece guardada na Igreja de Santa Catarina. Após séculos de insistentes petições por parte dos católicos holandeses, o corporal ensanguentado foi finalmente restituído à cidade de Boxtel no ano de 1924. Atualmente, em cada festa da Santíssima Trindade, a cidade inteira se mobiliza para uma grandiosa procissão solene, onde a preciosa relíquia do Sangue é exposta em ostensórios de prata para adoração dos fiéis e peregrinos que visitam a região.
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Eu sou o pão vivo que desceu do céu; quem deste pão comer, viverá eternamente.
João 6, 51
